História do Grupo

Contada na primeira pessoa, por Francisco Helvídio Barcelos, o jovem agricultor que fundou o grupo Barcelos.

Iniciei a minha carreira profissional, como funcionário público, em 1971. Em Abril de 77, deixei a minha profissão na altura, para me tornar lavrador. Tinha casado há um ano atrás, com a minha esposa, filha de lavradores e decidi adquirir a lavoura do meu sogro, que na altura tinha 25 vacas, 2 bois, um cavalo e uma carroça em terrenos de aluguer, para grande desilusão da minha esposa, que nunca pensou casar com um lavrador e achava na altura que a vida de lavoura era uma página virada. Passado mês e meio, resolvi adquirir um tractor. Todo contente que estava com a nova aquisição, apercebi-me do pesado investimento que tinha realizado e da dificuldade que teria para rentabilizá-lo. Havia duas soluções, ou vender o tractor ou adquirir mais vacas. Rapaz novo e não querendo passar a vergonha de vender o tractor adquirido há muito pouco tempo, decidi optar pela compra de mais animais e esta foi uma decisão que de certa forma norteou a minha história como empresário. Desde cedo recorri ao apoio de técnicos da área da pecuária e da agricultura, pela necessidade de melhoramento genético no efectivo e melhoramento das pastagens. Procurei ser um incentivador do melhoramente genético, importando da Alemanha 990 novilhas gestantes num barco estábulo. Ainda me lembro a emoção da descarga dos mesmos no Porto Pipas, cheio de colegas lavradores a aguardarem ansiosos a vinda dos seus animais.

No decurso da minha actividade, sempre tive uma enorme vontade de laborar o leite da minha exploração em produtos de valor acrescentado.

Por força do destino e enquanto empresário agrícola, iniciei actividades paralelas na área de exportação de animais vivos e posteriormente na área das carnes.

Em 1997, surgiu a Açorcarnes, uma empresa focada para a desmancha, embalamento e comercialização de carne de bovino.

Com uma vontade imensa de valorizar a produção primária nos Açores, a Açorcarnes foi pioneira na promoção/comercialização da Carne dos Açores – Indicação Geográfica Protegida.

Actualmente orgulhamo-nos de contribuir, junto com todos os nossos parceiros, associações e cooperativas das diferentes ilhas dos Açores, para o crescimento, diferenciação e projecção dessa marca Açores Indicação Geográfica Protegida.

De forma a conjugar estas duas realidades, a carne e os leites, que passaram a fazer parte das nossas vidas, criou-se o conceito Quinta dos Açores, onde integramos as cinco empresas do grupo. Francisco Helvídio Barcelos, empresa em nome individual, dedicada exclusivamente à produção de leite; Maria José Barcelos, dedicada à exportação, importação e engorda de animais; A Pastagem – Sociedade Agropecuária, dedicada à criação de animais puros de raça limousine para reprodução e para a “Carne dos Açores – Indicação Geográfica Protegida” e finalmente a Açorcarnes e Quinta dos Açores, indústria de lacticínios, carnes e animação turística.

O projecto Quinta dos Açores nasceu em 2004, resultado de um sonho familiar de valorizar a produção primária dos Açores, nomeadamente no sector dos lacticínios e das carnes.

Ao longo do tempo, sofreu uma série de alterações, devido às inúmeras trocas de experiências e diferentes sinergias que se foram criando e à própria conjuntura do mercado, resultando num projecto, que para nós actualmente encontra-se muito mais completo, mas felizmente, longe de estar totalmente terminado.

Hoje a Quinta dos Açores, integra uma vertente agro-pecuária, industrial, turística, pedagógica, restauração e comércio retalhista.

Este projecto conjuga a mais recente e inovadora tecnologia para a indústria, permitindo deste modo a laboração de uma gama diversificada, com uma apresentação distinta de produtos de valor acrescentado e qualidade, que foram certamente de encontro ao nosso maior foco, como açoreanos que somos, de valorizar o que para nós de melhor se produz nos Açores, o leite e a carne.

Até à data, a Quinta dos Açores, já recebeu centenas de pessoas, escolas, creches, infantários, grupos turísticos, entre muitos outros, com a intenção de conhecer e perceber ambos os sectores da agricultura açoreana. Deixa-me imensamente orgulhoso, junto com a minha mulher, filhas e toda a equipa, poder partilhar todos os conhecimentos de uma vida, de uma experiência profissional profunda e dinâmica e sentir que desse modo, incentivamos e fazemos apaixonar, as crianças os jovens e adultos que nos visitam, por este importante sector, pela produção Açores, pela marca Açores, mas sobretudo pelo saber fazer natural e genuíno dos açoreanos.